Psicologia · PHDA

Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA)

“E se aquilo que sempre considerou um defeito tiver uma explicação?”

Madalena Gama Fernandes
Autora do artigo Madalena Gama Fernandes Psicóloga Clínica

“Está sempre a adiar tarefas, mesmo as importantes?”

“Chega frequentemente atrasado, apesar de fazer um esforço para sair a horas?”

“Consegue passar horas concentrado num tema que adora, mas não consegue manter a atenção numa tarefa simples?”

“Ao longo da vida ouviu frases como: ‘Tens de te esforçar mais’, ‘És muito distraído’, ‘Só precisas de te organizar melhor’?”

Se respondeu “sim” a algumas destas perguntas, saiba que não está sozinho. Estas dificuldades podem ter várias explicações e, em algumas pessoas, podem estar relacionadas com a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Afinal, o que é a PHDA?

De acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR), a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação do neurodesenvolvimento caracterizada por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere com o funcionamento ou o desenvolvimento da pessoa (American Psychiatric Association, 2022).

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a PHDA não é apenas “ser hiperativo”. Muitas pessoas nunca foram particularmente agitadas, mas vivem diariamente com dificuldades que passam despercebidas aos outros (National Institute for Health and Care Excellence [NICE], 2018).

Sinais que podem fazer parte da PHDA

A dificuldade não é falta de atenção... é dificuldade em gerir a atenção.

É comum conseguir concentrar-se durante horas numa atividade interessante, mas sentir enorme dificuldade em iniciar ou manter tarefas menos estimulantes (Barkley, 2015; APA, 2022).

A procrastinação não significa preguiça.

Muitas pessoas querem começar uma tarefa, sabem que é importante, mas sentem como se existisse um “bloqueio” que as impede de dar o primeiro passo (Barkley, 2015).

O hiperfoco também faz parte da PHDA.

Quando algo desperta verdadeiro interesse, é possível perder a noção do tempo e permanecer totalmente concentrado durante horas (Brown, 2013).

Gerir o tempo pode ser um desafio diário.

Esquecer compromissos, subestimar o tempo necessário para realizar uma tarefa ou chegar frequentemente atrasado não acontece por falta de responsabilidade (Barkley, 2015; Hallowell & Ratey, 2023).

A desorganização tem uma explicação.

As dificuldades em planear, organizar materiais, estabelecer prioridades ou terminar tarefas estão frequentemente relacionadas com alterações nas chamadas funções executivas, responsáveis pelo planeamento, organização e autorregulação (Barkley, 2015; APA, 2022).

Interromper os outros nem sempre é falta de educação.

A impulsividade pode levar a responder antes do fim da pergunta, interromper conversas ou ter dificuldade em esperar pela sua vez (APA, 2022; Hallowell & Ratey, 2023).

As emoções também podem ser mais intensas.

Frustração, ansiedade, irritabilidade ou mudanças de humor fazem parte da experiência de muitas pessoas com PHDA e podem ter um impacto significativo na vida pessoal, escolar ou profissional (Shaw et al., 2014).

Procura constante de estímulos:

A mente tende a afastar-se de tarefas monótonas ou aborrecidas, procurando constantemente novos estímulos e atividades que despertem interesse. Esta necessidade de novidade resulta da forma como o cérebro processa a motivação e a atenção (Barkley, 2015; Brown, 2013; Hallowell & Ratey, 2023).

A PHDA não desaparece na idade adulta

Embora seja frequentemente associada à infância, a PHDA pode acompanhar a pessoa ao longo de toda a vida (APA, 2022; NICE, 2018).

Na idade adulta, os sintomas podem manifestar-se através de dificuldades na organização, gestão do tempo, produtividade, relacionamentos ou autoestima.

Muitas pessoas apenas descobrem que têm PHDA quando procuram ajuda por sentirem que, apesar do esforço constante, continuam a enfrentar os mesmos desafios (NICE, 2018, Hallowell & Ratey, 2023).

À medida que a idade avança, podem surgir dificuldades na interação social, devido à dificuldade em interpretar sinais sociais e à incapacidade de controlar o impulso de interromper conversas, falar fora de tempo ou intrometer-se involuntariamente (Barkley, 2015, Hallowell & Ratey, 2023).

Insatisfação com a vida e necessidade de mudança:

Com o passar dos anos, pode surgir uma sensação crescente de insatisfação com a vida, acompanhada de uma necessidade constante de mudança, novos desafios e vontade de melhorar a situação pessoal ou profissional (Brown, 2013; Barkley, 2015; Hallowell & Ratey, 2023).

Receber um diagnóstico não é receber um rótulo

Para muitas pessoas, compreender que existe uma explicação para aquilo que viveram durante anos representa um enorme alívio.

O diagnóstico permite conhecer melhor o próprio funcionamento, identificar estratégias eficazes e definir um plano de intervenção adequado às necessidades de cada pessoa (APA, 2022).

A intervenção pode incluir psicoeducação, acompanhamento psicológico, estratégias de organização e gestão emocional (NICE, 2018).

Quando procurar um profissional?

Pode ser importante procurar ajuda quando estas dificuldades:

  • Estão presentes desde a infância ou adolescência;
  • Afetam o desempenho escolar, profissional ou académico;
  • Têm impacto nas relações pessoais;
  • Geram sentimentos frequentes de frustração, ansiedade ou baixa autoestima;
  • Persistem apesar do esforço para “ser mais organizado” ou “estar mais atento”.

Cada pessoa é única e merece um acompanhamento adaptado às suas necessidades. Se sente que estas dificuldades estão a afetar a sua vida pessoal, académica ou profissional, entre em contacto connosco. Estamos disponíveis para o ajudar a encontrar estratégias que façam a diferença no seu dia a dia.

Acompanhamento individualizado

Estas dificuldades estão a afetar a sua vida pessoal, académica ou profissional?

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Referências

  • American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed., text rev.; DSM-5-TR). American Psychiatric Association Publishing.
  • Barkley, R. A. (2015). Attention-deficit hyperactivity disorder: A handbook for diagnosis and treatment (4th ed.). Guilford Press.
  • Brown, T. E. (2013). A new understanding of ADHD in children and adults: Executive function impairments. Routledge.
  • Hallowell, E. M., & Ratey, J. J. (2023). PHDA 2.0: Novas estratégias para uma vida com mais equilíbrio (A. S. Rodrigues, Trad.). Lua de Papel.
  • National Institute for Health and Care Excellence. (2018). Attention deficit hyperactivity disorder: Diagnosis and management (NG87). https://www.nice.org.uk/guidance/ng87
  • Shaw, P., Stringaris, A., Nigg, J., & Leibenluft, E. (2014). Emotion dysregulation in attention deficit hyperactivity disorder. American Journal of Psychiatry, 171(3), 276–293. https://doi.org/10.1176/appi.ajp.2013.13070966